Resumo rapido
- Em geral, os valores ficam entre R$ 15 e R$ 30 por mil milhas.
- O que antes chegava a R$ 35-40 por mil milhas, hoje raramente passa de R$ 25-30.
- Algumas razões: Valor potencialmente maior: Quando uma passagem que custaria R$ 2.000 é resgatada com 50 mil milhas, cada mil milhas "vale" R$ 40.
Muita gente acumula milhas e pensa: "será que posso transformar isso em dinheiro?". A resposta curta é sim, é possível. Mas a resposta completa envolve entender os riscos, as mudanças recentes do mercado e avaliar se realmente compensa para o seu caso.
Como funciona a venda de milhas
Primeiro, é importante entender: você não vende as milhas diretamente. O que acontece é a emissão de passagens para outras pessoas usando suas milhas, com recebimento de dinheiro em troca.
O processo geralmente funciona assim:
- O usuário se cadastra em uma plataforma intermediária (como HotMilhas ou MaxMilhas)
- A plataforma encontra compradores que desejam viajar
- O titular das milhas emite a passagem no nome do comprador
- A plataforma paga um valor por milheiro ao titular
O pagamento varia conforme o programa de fidelidade, a demanda e a plataforma escolhida. Em geral, os valores ficam entre R$ 15 e R$ 30 por mil milhas.
É legal vender milhas?
Do ponto de vista da legislação brasileira, não há proibição expressa. As milhas são consideradas patrimônio do consumidor, assim como pontos de programas de fidelidade em geral.
Porém, existe uma diferença importante entre "legal" e "permitido pelo programa". Os regulamentos de Smiles, Latam Pass, TudoAzul e outros programas proíbem expressamente a comercialização de milhas. Se o programa identificar essa prática, as consequências podem incluir:
- Bloqueio temporário da conta
- Cancelamento das milhas acumuladas
- Encerramento definitivo do cadastro
Nos últimos anos, os programas intensificaram a fiscalização, especialmente após os problemas com a 123Milhas em 2023.
O que mudou no mercado de milhas
O mercado de venda de milhas passou por transformações importantes entre 2023 e 2025:
Limitação de CPFs: Os programas impuseram limites rígidos de quantos CPFs diferentes podem ser beneficiados com milhas de uma mesma conta. A Smiles, por exemplo, limita a 25 CPFs por ano. Isso dificulta muito quem vendia em volume.
Crise de confiança: O caso da 123Milhas abalou a confiança dos consumidores no mercado de milhas como um todo. Muita gente ficou receosa de adquirir passagens por intermediários.
Fiscalização mais rigorosa: Os programas investiram em tecnologia para identificar padrões de emissão suspeitos. Quem emite muitas passagens para terceiros pode entrar no radar.
Valores menores: Com mais restrições e menos demanda, o valor pago por milheiro caiu. O que antes chegava a R$ 35-40 por mil milhas, hoje raramente passa de R$ 25-30.
Riscos que vale conhecer
Bloqueio da conta
É o risco mais concreto. Se o programa identificar atividade de venda, todas as milhas acumuladas podem ser perdidas — inclusive aquelas que seriam usadas para viagens pessoais.
Calote em vendas diretas
Quem tenta vender diretamente para pessoas físicas (sem intermediário) corre risco de emitir a passagem e não receber o pagamento. Golpes desse tipo são relatados com frequência em grupos de redes sociais.
Problemas com a passagem
Quando a emissão é feita para terceiros, qualquer problema na viagem pode se tornar uma dor de cabeça. Cancelamentos, remarcações ou questões de documentação podem exigir intervenção do titular.
Situações em que pode fazer sentido avaliar
Apesar das restrições, existem cenários em que a venda de milhas ainda pode ser considerada:
- Milhas prestes a expirar: Se não há possibilidade de uso e a perda é iminente, receber um valor menor que o ideal ainda pode ser melhor que zero
- Volume pequeno e esporádico: Emissões eventuais para conhecidos, uma ou duas vezes por ano, dificilmente chamam atenção dos programas
- Necessidade financeira imediata: Em situações de emergência, pode representar uma fonte de recursos
Nossa análise
O cenário atual tende a favorecer o uso próprio das milhas para viagens. Algumas razões:
Valor potencialmente maior: Quando uma passagem que custaria R$ 2.000 é resgatada com 50 mil milhas, cada mil milhas "vale" R$ 40. Na venda, o valor recebido costuma ser de R$ 25-30 por mil.
Ausência de riscos: Usando as próprias milhas, não há risco de bloqueio de conta ou problemas com regulamentos.
Mesmos direitos: Passagens emitidas com milhas funcionam exatamente igual às compradas com dinheiro — com direito a bagagem, acúmulo de pontos de status e possibilidade de remarcação.
Para quem tem milhas sobrando e não viaja com frequência, vale considerar alternativas como:
- Presentear familiares e amigos com passagens
- Avaliar transferência para o programa ALL Accor (hotéis)
- Verificar produtos ou serviços no catálogo de resgates
- Aguardar promoções de passagens com milhas reduzidas
Conclusão
A venda de milhas já foi uma excelente fonte de renda extra, mas o mercado mudou consideravelmente. Hoje, os riscos são maiores, os valores são menores e as restrições são mais severas. Para a maioria das pessoas, usar as milhas para viajar tende a ser a forma mais vantajosa de aproveitar os pontos acumulados.
Quem ainda assim considerar a venda, sugerimos que o faça de forma esporádica, por meio de plataformas conhecidas, e com plena ciência das possíveis consequências.
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Aviso importante
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, representando a opinião editorial da equipe Farejador de Milhas. Não constitui recomendação de compra, venda ou qualquer decisão financeira. Cada leitor deve avaliar cuidadosamente as informações apresentadas e, se necessário, consultar profissionais especializados antes de tomar qualquer decisão. O Farejador de Milhas não se responsabiliza por ações tomadas com base neste conteúdo.
Última atualização: Janeiro de 2026